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O Processo Criativo

O que é Criatividade?         

A palavra criatividade será compreendida como a habilidade de criar idéias originais e que sejam úteis para solução de problemas do dia a dia. Ser criativo consiste em olhar para as mesmas coisas como todo mundo, mas ver e pensar algo diferente. Ao contrário do que muitos pensam, a criatividade não é um dom concedido apenas para algumas poucas pessoas. O potencial para ser criativo é algo disponível em todos nós. No entanto, muitas pessoas deixam este potencial ser anulado por bloqueios culturais e ambientais, bem como, pelo medo de errar e parecerem tolas.

Processo Criativo

O processo criativo, muitas vezes, é entendido como uma atividade que busca a originalidade, em meio ao um mundo repleto de possibilidades. Embora isto possa ocorrer desta maneira para alguns, muitos precisariam de uma estrutura bem esquematizada para conseguir obter idéias criativas. A liberdade para experimentar é essencial para a criatividade, assim como alguma disciplina pode ajudar a assegurar objetividade e consistência.

De maneira geral, os diversos métodos de pensamento criativo, encontrados na literatura especializada, são fundamentados por três princípios: Atenção, Fuga e Movimento. As definições contidas neste trabalho são inspiradas no trabalho do engenheiro Paul E. Plsek – autor do livro Creativity, Innovation and Quality.

  1. Atenção

             Antes de iniciarmos, de fato, o processo criativo, devemos nos concentrar em algo como um problema ou uma oportunidade, por exemplo. Com isso, preparamos nossa mente para romper com a realidade existente e se abrir para a percepção de possibilidades e conexões que normalmente não enxergamos.

            Se estivermos explorando oportunidades, voltamos nossa atenção para o que não funciona ou pode ser aperfeiçoado: o que é difícil e complicado e pode se tornar fácil e simples; o que é lento e pode se tornar rápido; o que é instável e pode se tornar confiável… Entre muitas outras possibilidades em que, usualmente, não prestamos atenção.

            Como exemplo, podemos citar a década de 80, momento em que a indústria de computadores dirigia sua atenção apenas para a máquina, a fim de torná-la mais potente. Apple e Windows, entretanto, focaram sua atenção no usuário, em como tornar o computador mais acessível e mais amigável. Assim, diante das mesmas informações que todos, mas tomando este olhar de uma perspectiva diferente, ambas as empresas revolucionaram toda a indústria de informática.

            Tratando-se da análise de um problema, concentramos nossa atenção para compreender melhor a situação, suas diferenças e similaridades com outras situações conhecidas, as peculiaridades do problema analisado e suas possíveis causas. Tentamos entender a situação procurando respostas para as seguintes questões: O que está acontecendo? Onde? Como? Quando? Por quê? Quem está envolvido?

            Tanto no caso de exploração de oportunidades, quanto no caso de solução de problemas, devemos ficar atentos aos paradigmas, aos sentimentos e às suposições que podem estar atuando sobre nossa percepção e entendimento da situação.

            “A verdadeira viagem do descobrimento não consiste na procura de novas paisagens, mas em ter novos olhos.” (James L. Adams)

    2. Fuga

             O segundo princípio do processo criativo nos chama a escapar mentalmente dos nossos atuais modelos de pensamento. É a hora de refletir sobre os nossos bloqueios mentais e derrubar as paredes que limitam nossa imaginação ao que sempre fizemos, ao que é confortável e seguro. A verdade é que os hábitos predominam na escolha de nossos caminhos. Tendemos a trilhar sempre o mesmo vale que se torna cada vez mais profundo e mais difícil de escapar.

            “Você não pode resolver um problema com a mesma atitude mental que o criou.” (Albert Eistein) 

3. Movimento

             O terceiro princípio consiste no momento de dar asas à imaginação e gerar novas alternativas, sem perder de vista os propósitos do processo criativo. É o momento de fazer conexões incomuns, de ver analogias e relações entre ideias e objetos que não eram, anteriormente, relacionados.

                      A partir do conhecimento destes três princípios, podemos entender os diversos métodos e técnicas de criatividade – que têm por finalidade nos auxiliar em, pelo menos, um dos três princípios. Diferentes métodos resultam das diferentes combinações entre tais técnicas. Dominando os três princípios, cada indivíduo pode criar o seu próprio método, selecionando, combinando, ou mesmo criando as técnicas e ferramentas que mais se adaptam à sua personalidade e preferências, bem como, ao problema específico que está enfrentando.

Técnicas que auxiliam a geração de idéias

             A literatura especializada apresenta uma vasta gama de técnicas e ferramentas para auxiliar na geração de idéias. Estas técnicas podem ser classificadas em três categorias:

Estímulos psicológicos: Categoria que abarca as ferramentas que têm como propósito libertar a mente dos bloqueios que obstruem sua imaginação. A mente age de forma livre e aleatória, procurando uma grande quantidade de idéias, sem muita preocupação com a qualidade e relevância das mesmas. A qualidade e relevância são examinadas posteriormente, na fase de triagem e seleção. Neste grupo, portanto, encontram-se ferramentas como o Brainstorming, o Questionamento de Suposições e o Desafio Criativo.

Orientação do raciocínio: Categoria que abrangem as ferramentas que ajudam na orientação do pensamento criativo, oferecendo conceitos e direções para geração de novas idéias. São métodos medianamente estruturados, com plena liberdade de imaginação, mas seguindo orientações genéricas para assegurar um nível razoável de relevância. Esta categoria inclui também ferramentas que ajudam a organizar e relacionar as informações obtidas e as ideias geradas. Neste grupo, portanto, encontram-se ferramentas como o SCAMPER, a Listagem de Atributos e a Análise Morfológica.

Pensamento Inventivo Sistematizado: Categoria que compreende as técnicas que se baseiam nos princípios inventivos identificados pelo engenheiro russo Genrich Altshuller, mediante o exame de mais de duzentas mil patentes de inventos. Através destes princípios, o pensamento criativo pode seguir as trilhas já percorridas por milhares de inventores e solucionadores de problemas e se inspirar nas suas ideias e nas soluções de problemas similares ao seu. Neste grupo, portanto, encontram-se ferramentas como TRIZ, ASIT e USIT. Na sua origem, estas técnicas foram criadas para apoiar a solução de problemas técnicos mais complexos, especialmente no desenvolvimento de novos produtos, sistemas e tecnologias. Nos últimos anos, vimos a ampliação da aplicação destas técnicas na solução de problemas gerenciais e sociais.

            Estes três grupos não são excludentes. Cada indivíduo pode combinar as ferramentas dos três grupos, de acordo com seu estilo e suas necessidades. Mas por que há tantas ferramentas? Bem, o processo criativo pode ser bem complexo, considerando-se que cada indivíduo possui seus bloqueios mentais.

O que são bloqueios mentais?

            Bloqueios mentais são obstáculos que nos impedem de perceber corretamente o problema ou conceber uma solução. Pela ação destes bloqueios nós nos sentimos incapazes de pensar algo diferente, mesmo quando nossas respostas usuais não funcionam mais. Alguns bloqueios são criados por nós mesmos: temores, percepções, preconceitos, experiências, emoções, etc. Outros são criados pelo ambiente: tradição, valores, regras, falta de apoio, conformismo, entre outros. Os bloqueios mentais podem ser classificados em cinco categorias:

    Bloqueios culturais: Categoria que compreende as barreiras que impomos a nós mesmos, geradas por pressões da sociedade, cultura ou grupo a que pertencemos. Eles nos levam à rejeição do modo de pensar de pessoas ou grupos diferentes. “Nosso jeito é o certo”, “respeitamos nossas tradições” e “não se mexe em time que está ganhando” são alguns exemplos de bloqueios culturais.

     Bloqueios ambientais e organizacionais: Categoria que abarca as barreiras resultantes das condições e do ambiente de trabalho (físico e cultural). Como exemplo, pode-se considerar as distrações no ambiente de trabalho (interrupções, ruídos, telefone, e-mail), autoritarismo, estilos gerenciais inibidores, rotina estressante, entre outros.

       Bloqueios intelectuais e de comunicação: Inabilidade para formular e expressar com clareza problemas e idéias. Podem resultar de vários fatores como a falta de informação e pouco conhecimento sobre o problema ou situação analisada, fixação funcional (isto é, procurar soluções unicamente dentro dos limites de sua especialização ou campo de atividade), crença de que para todo problema só há uma única solução válida, entre outros.

       Bloqueios emocionais: Categoria que abrange as barreiras resultantes do desconforto em explorar e manipular idéias. Como exemplo, pode-se destacar o medo de correr riscos; receio de parecer tolo ou ridículo, desconforto com incertezas e ambigüidades, entre outros.

     Bloqueios de percepção: Categoria que abrange os obstáculos que nos impedem de perceber claramente o problema ou a informação necessária para resolvê-lo. Inabilidade para ver o problema sob diversos pontos de vista por conta dos estereótipos, das fronteiras imaginárias e da sobrecarga de informações.

Portanto, segundo uma metáfora feita por “Siqueira (2007)”, “os bloqueios são paredes invisíveis que nos impedem de sair dos estreitos limites do cubículo que construímos ao longo dos anos. Os tijolos desta parede são feitos de nossos medos, frustrações, ansiedades e imposições da sociedade, família, colegas e superiores. Quando se sentir paralisado e incapaz de pensar diferente, relaxe e procure enxergar estes tijolos. A consciência dos bloqueios mentais já é meio caminho andado no desenvolvimento de suas habilidades criativas.”

 

Conclusão

A partir do presente trabalho dissertativo foi possível verificar que somos intensamente condicionados pelo ambiente em que vivemos e por nossas experiências e emoções. Diante de tudo o que foi exposto, pode-se notar a tamanha importância da identificação de nossos bloqueios mentais à criatividade, considerando que todos nós somos capazes de desenvolver o processo criativo, que por sua vez, se fundamenta nos princípios de atenção, fuga e movimentação. Apenas com isso poderemos ser capazes de modificar os modos inibidores como tendemos a perceber, definir e examinar os problemas e decisões que temos de encarar.

 

Referência Bibliografia

PLSEK, Paul E. (1997). Creativity, Innovation, and Quality. Milwaukee: ASQ Quality Press.

SIQUEIRA, Jairo (2007). O processo criativo. Criatividade e Inovação. Disponível em: http://criatividadeaplicada.com/2007/02/10/o-processo-criativo/.

SIQUEIRA, Jairo (2007). Bloqueios à criatividade. Criatividade e Inovação. Disponível em: http://criatividadeaplicada.com/2007/02/07/bloqueios-criatividade/. 

SIQUEIRA, Jairo (2008). Criatividade e Qualidade. Criatividade e Inovação. Disponível em: http://criatividadeaplicada.com/2008/05/31/criatividade-e-qualidade/.

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